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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ainda pequenina no Amor - Capítulo IV

Ainda pequenina no Amor

                                                                    Capítulo IV
Pedro sabia que não tinha de procurar muito, porque Laura não tinha muitos familiares, não tinha carro, nem dinheiro, apenas tinha um pai bêbado e autoritário.
Laura estava lá no sítio habitual, a ver o pôr-do-sol, no penhasco, estava a observar os tons da natureza, enquanto soltava uma lágrima e pensava na sua vida miserável, estava desempregada, sem um curso superior, pois seu pai a privara de estudar, todo dinheiro que ganhava era para o álcool e vícios do próprio. Até para as despesas da casa este homem asqueroso recusava-se a dar dinheiro. Laura vivia o inferno na Terra, e só desejava desaparecer. E a primeira vez que se apaixona a sério, descobre que o amor é impossível, só não aguentava o desgosto que a mãe lhe dera. Os seus pensamentos culpavam a dona Constança de Andrade, mãe de Laura.
Enquanto, a linda Laura olhava o pôr-do-sol a poisar nas águas salgadas, pensava e pensava…
“Foste tu mãe, que me colocaste nesta situação, não só traíste o pai como me traíste a mim ao te envolveres com outro homem ainda tu sendo casada com o pai…”
Será que os pensamentos de Laura estavam certos?
Com os braços a abraçar os joelhos e as lágrimas a correrem pelos seus puros e ingénuos olhos castanhos esverdeados, sente uma presença por trás de si.
-Sabia que te iria encontrar aqui…
-Pedro? Não podemos… vai-te embora…
-Percebeste tudo mal Laura, eu não tinha o direito de te fazer sofrer, nem de te deixar pensar tais coisas erradas, não era para te contar já, mas uma vez que já descobriste as fotos…
-Fala, que ligação tens com a minha mãe?
- Eu não sou filho da dona Constança, a minha mãe morreu, tinha eu 5 anos, e fiquei só com o meu pai, o meu pai era muito rico e andava sempre a viajar e eu ficava com uma ama, e com 3 empregadas no casarão, sofri de abusos sexuais desde os meus 7 anos pela minha ama, sofri de maus tratos, pois ela batia-me sempre que eu errava, sempre que eu falhava nos trabalhos da escola, tentei fugir, mas a minha ama descobriu o plano de fuga e me espancou na hora, o meu pai passava meses fora e não se apercebia de nada, e quando ele regressava, eu tinha medo de falar, era uma criança que temia, que se falasse ia sofrer mais ainda. Calei-me. Sofri em silêncio durante anos.
Quando ela me deixava na escola, aos olhos dos outros pais e meninos, ela parecia adorar-me, tratava-me bem e despedia-se com um beijo no rosto, tal como as outras mães faziam com os seus filhos. Eu andava num colégio muito rico, mas a dada altura o meu pai faliu, perdemos a casa, o dinheiro, as joias, as propriedades, o meu pai perdeu tudo, e eu tive de mudar de escola, fui para a escola do bairro, e era conhecido como o menino rico que vinha do colégio, fui gozado, e os outros rufias batiam-me, roubavam-me o almoço, e eu tornei-me rebelde nesse ano, sofri uma grave depressão, a minha ama mais dia, menos dia acabou por ser despedida, o meu pai já não tinha dinheiro para lhe pagar, terminando assim os abusos sexuais, eu senti-me aliviado, mas revoltado, a cabeça de uma criança muda muito, depois de sofrermos abusos sexuais na infância, não sabes o desespero que vivi, a perseguição mental que sofri, mesmo quando ela não estava por perto, eu tive pesadelos Laura, antes de adormecer eu temia ficar sozinho no quarto, tinha medo do que não existia, do quarto escuro, de ser violado outra vez, era muito novo, não merecia sofrer o que sofri.
-Conta-me tudo Pedro, não escondas nada…
-Tudo?! Queres tudo Laura? Não vais gostar.
-Não importa, conta-me tudo…
-Eu era violado, espancado, torturado, e quanto mais eu pedia para ela parar, mais prazer lhe dava para continuar. Não quero entrar em pormenores, porque são demasiado chocantes e não os mereces ouvir. Esses pensamentos me perseguiam, essa dor me invadia a alma de tal maneira, todas as noites eu permanecia de olhos abertos, mesmo quando ela foi despedida, tinha medo de dormir, nunca contei ao meu pai, tive vergonha.
E nessa altura eu tinha já 13 anos, quando o resto do dinheiro que o meu pai tinha acabou, ele não aguentou o desgosto, e as portas a fecharem-se na cara dele, dizendo que não podiam empregar mais ninguém, não eram uma, nem duas, foram mais de 20 portas que recusavam dar emprego a um homem falido, que morava num barraco lá no bairro, fomos considerado iguais aos outros rufias, sofremos de discriminação social, toda as pessoas achavam que eramos todos iguais… ou seja, assaltantes, violadores e traficantes.
E quem quer empregar alguém assim? Ninguém! Eramos os pobres da favela, lá do bairro dos miseráveis! Era assim que os meninos da cidade nos chamavam. Nem uma bicicleta tinha para circular, só se fosse a do vizinho quando não precisasse dela.
Então o meu pai não quis mais essa vida e matou-se no mesmo penhasco que tu te atiraste. Apanhou um autocarro até aqui, e pôs fim à sua vida. Quando o seu corpo foi encontrado, eu e o meu tio eramos os únicos familiares que ele tinha para reconhecer o corpo, mas o meu tio estava no Japão a trabalhar, e há mais de 5 anos de relações cortadas com o meu pai, quando soube da morte do irmão veio a voar, dirigimo-nos à morgue, mas como o meu tio já não o vi há anos, era eu quem o tinha de reconhecer, e Laura, eu tive de ver o meu pai, o homem doce mas ao mesmo tempo forte, o homem que eu mais admirava, ali estendido numa gaveta cinzenta e fria, com o corpo já rijo, e sem cor, com a cara já um pouco desfigurada, disseram-me que ele tinha batido com a cabeça numa das pedras do penhasco, levava uma camisa branca que ficara manchada de sangue, foi horrível Laura… Pedro teve de fazer uma pausa, estava demasiado emocionado, e não conteve as lágrimas, de imediato Laura abraçara o seu amado, e o acariciou com o seu terno e doce toque.
A morte de pai de Pedro e o sonho de Laura de vestido branco, poderiam estar relacionados, diz a lenda do penhasco do suicídio, que quem lá morre, nunca mais encontra a paz, e que o espirito invade os sonhos para persuadir as almas puras mas confusas a cometerem o pecado mortal, mas neste caso seria mais um aviso da boa alma do Sr. Inácio, pai de Pedro, a alertar para o fim que poderia ter, daí os pesadelos constantes a perturbarem a sua mente em todas as noite, para que ela não cedesse, quando um problema em sua vida surgisse, é que Laura era fraca, e bastava um simples desgosto para que ela fraquejasse, percorriam ideias horrorosas pelo seu cérbero .
-Laura, eu estive internado, e na clinica fui visitado por um Índio, que ia à procura do filho Abel que também estava lá hospitalizado após uma queda. Eu por sinal encontrava-me na mesma enfermaria que o filho, foi a minha sorte, deu-me várias lições para a alma, e me convenceu a ir todas as semanas à comunidade, onde aprendi coisas importantes, como meditar e a concentrar-me sem desvios no meu projeto, que era ser feliz! Era um índio sábio.
-E onde se encontra a ligação com a minha mãe?
-Foi aí que a conheci, nessa altura fiquei à guarda do meu tio, mas ele nem sempre me podia dar atenção, quando regressou do Japão, começou a fazer parte do projeto felicidade, que só os índios me podiam ensinar, ele aderiu ao mesmo, ele era mente aberta, como tal, fez parte da comunidade, conheceu a tua mãe, que só nos visitava uma ou duas vezes por semana e escondia de ti o caso que tinha com o meu tio. Festejamos o meu 18º aniversário na cidade vizinha, reservando um fim-de-semana para estarmos todos juntos, deves te recordar dela estar fora esse fim-de-semana.
Regressamos à comunidade e assim naquela situação nos permanecemos até completares 18 anos, depois daí, já sabes, ela foi viver a felicidade junto do meu tio, o que não sabias é que o homem em questão era meu tio, todos diziam que ela tinha fugido com um índio, porque havíamos feito parte da comunidade.
Ela foi uma mãe para mim.
E disse-me para te proteger, quando eu viesse para cá morar com este casal que vive atualmente comigo, o casal era só uma farsa para não desconfiares, a mulher é a melhor amiga da tua mãe, e o homem é o seu marido de verdade, eles sabem de tudo, combinamos tudo, quando o casal em questão disse que viria para esta cidadezinha construir uma vida. Foi a oportunidade perfeita para eu ajudar a tua mãe que está muito preocupada contigo.
Laura, já com a lágrima no canto do olho, demasiado emocionada, ainda questiona:
-E eu a pensar que eramos irmãos, então sendo assim, porque me rejeitaste tanto?
Continua…

35 comentários:

  1. Por que Pedro a rejeitas???? tô mega curiosa e esperando o próximo capitulo!
    Bjs

    http://achadosdamila.blogspot.com.br

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  2. Cada vez mais viciada nessa história. Parabéns amiga, muito bem escrito, prende o leitor.

    Beijão :*
    http://pequenosviciosdiarios.blogspot.com.br/

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    1. Uau, obrigada pelo comentário me deixa mega feliz.

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  3. Oi lindaaa, obrigada pela visita lá no Blog...vou tentar ler a historia do inicio, mas o pedaço que eu li deu pra ver que é bem emocionante....
    Obrigada pela visita la no Blog amore.
    Bjs

    www.laiscristine.com

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  4. Vou tentar pegar a história do início.. gostei muito!!
    Vim retribuir o recadinho e o carinho com o meu blog.. já estou seguindo o seu também!!

    Já tem post novinho esperando por você!! Muitos beijinhos..

    www.rolamuito.blogspot.com.br

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  5. muito profundoo
    ooi venham ver meu blog?
    http://mimosteenn.blogspot.com.br

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  6. Ainda há um mistério aí... Estou impressionado com o seu! Deu vontade de matar a ama maldita. Você já tem essa história completa ou ainda a está construindo? Daria um ótimo ebook...
    Abraços, de um fã.

    http://pecasdeoito.blogspot.com.br/

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    1. Uau, fiquei honrada com o seu comentário, obrigada por me deixar feliz :)
      Cada dia eu construía um capítulo novo, resolvi terminar no capítulo V, que publiquei hoje, para não se tornar muito maçadora e cansativa. Obrigada por acompanhar :)
      Beijinhos

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  7. lindo!!!!!obrigada por me seguir seguindo e divulgando!!!!

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  8. Uma história muito dramática que prende o leitor. Muito bem.

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    1. Muito Obrigada Laura, fico honrada por acompanhar e estar a gostar :)

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  9. Nossa a vida do Pedro é trágica :'( mas eu acho que Laura representa conforto pra ele (acho...)

    Vamos ler o post do dia lá no blog?
    Se gostar, torne-se seguidora XD
    Elayne Gabrielle | Como Fazer Olho com Glitter

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    1. É verdade, ela representa conforto para ele!
      Obrigada pelo comentário :)

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  10. muito obrigada e também gostei muito do teu blog :))

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  11. História linda! Amei! Seguindo o blog! Obg pela visita lá no blog!

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  12. Que lindo. *u*
    Te convidando a dar uma olhadinha no primeiro capítulo de Quando o impossível se torna realidade.
    http://pensa-mentosalternativos.blogspot.com.br/
    Espero que goste. Beeijo.

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  13. Olá! Passando para retribuir a sua visita e conhecer o seu blog. Adorei! Voltarei outras vezes. Já sou sua seguidora. Fica com Deus.

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  14. Lendo os capitulos anteriores...
    Bem, talento pra escrever não falta, né? Adorei
    cronicasdeumlunatico.blogspot.com.br

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    1. Oh obrigada, é uma honra para mim receber tais elogios :)

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  15. A história tá ficando boa!
    Curiosa para o próximo capítulo!
    Beijos!
    www.mahmaquiagens.blogspot.com.br

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  16. se não vai para mesmo de me surpreender neh. garota to quase tendo um treco, nossa ta muito emocionante muito mesmo to sem palavras parabéns vc tem um talento para escrita que eu nem sei explicar beijos

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